Visões estratégicas do design research - #UX #IxD
Certa vez em uma reunião com outros gerentes, discutindo a possibilidade de empregarmos métodos pouco familiares aos desenvolvedores e outros profissionais de TI (pesquisa com o usuário), ouvi em tom farto, meio à algumas outras, a seguinte frase:
"Nós não somos a Apple!"
Até tive sucesso nesta e em outras ocasiões, sobretudo pela postura didática e a clareza que mantenho ao dizer que os processos ligados à atuação do designer só valem quando estes se somam a um objetivo maior. Apesar de design "ser valor", em certas situações invocá-lo pode não ser coerente.
Mas o diálogo do designer com outras áreas sempre foi muito complicado, principalmente por em grande parte conhecermos a força do senso comum, que nos posiciona como autores de um trabalho supérfulo:"firula que não dá lucro e só resolve problemas estéticos"; como se estas soluções fossem simples e pouco importantes para o sucesso de um produto.
O que ouvi foi um misto de desconhecimento e desesperança: desconhecimento sobre as abordagens do design, que existem para resolver problemas; e desesperança, por não acreditar no poder motivador e transformador de um grande exemplo como a Apple.
Sem a busca pelo conhecimento sistematizado do que se relaciona ao design, e do entendimento de si como atividade, não teríamos o que se conhece como "Design Research".
E sem entendimento de como o design se estrutura e de como ele é capaz de mudar as coisas (inclusive ele mesmo), vivemos no limbo, sem condições de argumentar sobre a sua importância como solucionador de problemas para a sociedade.
Em uma das mais importantes obras de introdução ao Design Research, o livro "Design Research Now", editado por Raf Michel, se desenrolam questões que deveriam fazer parte lá no início da formação do profissional em design, e que hoje trabalha em projetos de "experiência de uso".
No ensaio escrito por Richard Buchanan, são descritas de maneira sistemática, dentre outros temas, as estratégias das quais os designers se valem no exercício do seu trabalho. Seriam elas, em resumo:
Estratégia dialética: considera as soluções que partem dos conflitos de vontades e interesses do designer e do cliente objetivando algo que será incluso em um contexto social mais amplo e perene, contemplando nas soluções questões como a sustentabilidade, colaboração, etc.- quando se releva os fatores socio-culturais e econômicos;
Estratégia científica (design science): considera como os processos e os materiais, constituintes da solução, se encaixam no universo da experiência e nos processos cognitivos, em âmbito generalista, sem considerar em grande medida questões individuais. Marcada por análise objetiva e "independente de perspectivas pessoais"- quando se releva a argumentação científica como fator único na tomada de decisões;
Estratégia investigadora (design inquiry): através da qual as soluções, surgem da potencialidade comunicacional, criativa e inovadora no uso dos materiais e processos, por meio das experiências do designer e dos usuários - quando se releva fatores da experiência e autoridade do designer e/ou do usuário.
A falta de clareza na definição de qual estratégia seguir, ou de quanto de cada uma delas será utilizada, é um dos fatores que que geralmente causa confusões.
E é esta confusão que deseja o design research solver; e que afeta tanto quem vai definir que técnicas utilizar para a solução de um problema, quanto para aqueles que não imaginam como a Apple se tornou o que é hoje.




